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Exterminador do Futuro: A Salvação

Escrito em Junho 28th, 2009

Bons enredos, preenchidos com perdas, conflitos e personagens bem construídos, cativam e transformam a obra em um grande sucesso, muitas vezes passível de continuações. Para cada nova seqüência, porém, é preciso uma boa dose de criatividade, para que o conjunto não se perca. Quando Exterminador do Futuro foi lançado, em meados de 1984, ninguém imaginava que sua história se tornaria um ícone da ficção científica, chegando a virar série de TV e dando margem para uma quarta continuação.

Na trama de A Salvação, o famoso fluxo temporal, que jogava personagens do futuro para salvar personagens do passado é abandonado e o espectador é convidado a conhecer mais sobre o que aconteceu após o dia do julgamento – a famigerada data quando as máquinas se rebelam contra a humanidade, pano de fundo para todos os filmes da série. A nova proposta parecia promissora, com ares de que daria um novo gás ao que já havia sido bastante explorado. Talvez a falta de James Cameron na direção ou de um novo exterminador interpretado por Schwarzenegger tenham pesado no que seria a última chance de recuperar o frisson da trama original.

Não é de hoje que a ficção aproveita o tema das máquinas em conflito com sentimentos humanos. Isaac Asimov foi um dos primeiros a explorar a contradição com suas três leis da robótica e, de lá para cá, muitos beberam em sua fonte. Para citar os mais recentes, A.I. – Inteligência Artificial e Eu, Robô, sem falar em animações infantis como Robôs – em todos eles, a possibilidade de se reproduzir sentimentos é colocada em xeque. Nos outros filmes da franquia de O Exterminador, a idéia permeia a trama, mas não é tão explorada como em A Salvação. O personagem principal, Marcus Wright, é um poço de sentimentos contraditórios preso em um corpinho metálico. A premissa, porém, se perde diante da facilidade com que é resolvida. Livre-arbítrio demais, conflito de menos. Some a isso uma dose de falta de realidade hollywoodiana em um filme que deveria prezar pela verossimilhança uma vez que científico e voilá – está feito o desastre.

Para o espectador comum, A Salvação é mais um bom filme de ação, com atores bem escalados e cenas explosivas de tirar o fôlego, que se resolvem magicamente, como é esperado em um filme pipoca. Já aqueles que são fãs de O Exterminador ou da boa e velha ficção científica de Asimov e Clarke ficarão ligeiramente incomodados, particularmente com o coração de Wright – em todos os sentidos possíveis. Assista e descubra, porque a probabilidade de mais uma continuação é grande. O risco é todo seu.

A Mulher Invisível

Escrito em Junho 28th, 2009

Gosto de cinema nacional. Incomodo-me apenas com a pretensão de certos diretores em achar que filmes brasileiros devem mostrar um pouco de nossa realidade e sua insistência em fazer ficções-documentários como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Um pouco de realidade é bem-vinda, mas o que seria do cinema se só exisstissem filmes sobre tráfico, política e terrorismo – sem direito a herói, inimigo e final feliz?

A Mulher Invisível vem provar que, quando se trata de filmes brasileiros, uma boa comédia pode render mais frutos do que a realidade nua e crua. O filme conta a história de Pedro, que após uma desilusão amorosa, encontra a mulher de seus sonhos – pena que somente ele consiga vê-la e ninguém mais. A premissa é pretexto para discutir relacionamentos, como cada um de nós lida com a perda e como muitas vezes a felicidade mora ao lado e nós nem nos damos ao trabalho de enxergar.

Selton Melo faz o que sabe: comédia. Suas expressões e a voz confusa que emprega ao personagem de Pedro garantem os melhores momentos do filme. Sua atuação faz a diferença exatamente como a de Fernanda Torres em Os Normais (sua participação especial neste filme consegue roubar as cenas, aliás) e o elenco de A Grande Família. Prova de que uma boa ficção fica melhor ainda quando os personagens são bem caracterizados e explorados.

Em se tratando de uma comédia romântica, claro que se pode esperar por um happy end. Mas o bom do gênero não é o seu fim e sim como que a história se desenrola para chegar ao inevitável. O clássico Harry e Sally junta e separa personagens ao longo de gerações. Em Noiva em Fuga, a personagem principal foge do altar em um caminhão da Fed-ex antes de viver feliz para sempre. A Mulher Invisível, de forma semelhante, cria situações inusitadas, explora o impossível e esgota a ficha de seus personagens até seu limite, ainda assim trazendo para o espectador o improvável de forma verossímel. O melhor disso tudo? Sair do cinema acreditando que nada melhor para uma desilusão do que uma nova paixão. É a magia do cinema – felizmente, diretores brasileiros estão, cada vez mais, aprendendo a explorar essa característica.

Dia 1 - Pela noite de Montevideo

Escrito em Junho 19th, 2009

Recepcionista simpatico no Hostel indicou para a gente um “boliche” nove quadras de distancia. Apos andar um pouco, Mari resolveu pedir informacoes a dois policiais que disseram que o lugar era de ma reputacao. Quando perguntamos o porque, a resposta foi incisiva - o publico era de homossexuais. Fingimento de choque, risos por dentro.

Chegando la, o charme da Mari quase convenceu a recepcionista de franja sexy a deixar a gente a entrar, mas o local nao aceitava “tarjeta” de credito e nos nao levamos dinheiro. Ficamos na pista, a Mari quase ganhou um beijo e vimos muito da beleza de Montevideo solta nas ruas. Bebemos cerveja barata acompanhada de um pacote de Oreo em uma loja de conveniencia. Na volta, papo com os mesmos dois policiais. Confirmamos que o lugar era realmente de ma reputacao. Mentira nao era, pelo contrario - e tudo uma questao de ponto de vista. Para eles, ruim, para nos, nem tanto.  

Resto da madrugada no Hostel, ao lado da lareira, conversando com o recepcionista, Diego, que descobrimos ser casado com Nicolas - rapaz de sorte, esse. Melhor dormir algumas horas agora, porque daqui a pouco vamos para Buenos. Buquebus, Cacciola ou Colonia Express, nao sabemos. Drama, drama, drama. Nada que duas horas de sono embelezador naum resolvam. Ainda sem acentos por aqui. 

Dia 1 - Montevideo/Red Hostel

Escrito em Junho 19th, 2009

Chegamos!  Viagem tranquila apesar da troca de aviao. No aeroporto, um hombre mui belo  para nos dar informacoes.   Agora estamos procurando um bar para ir…  as ruas desertas de Montevideo nos esperam. Nada de acentos por aqui. 

A arte de se deixar ser cativado

Escrito em Junho 15th, 2009

Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

 

 

                         

Nos meses em que estive ausente, estive apaixonada. E nas últimas semanas, tive que aprender à força a desfazer este sentimento para voltar a ser eu mesma. Entreguei-me a uma paixão intensa, daquelas que mexem com você, abalam suas estruturas, fazem você fazer algumas loucuras, falar coisas bonitas e planejar situações que só podem ser vividas a dois. A primeira sensação, quando descobrimos que tudo foi em vão, é de que o problema é conosco, que somos nós mulheres que amamos demais e que por isso, assustamos nosso parceiro e fazemos com que ele desista. Mas isso não é verdade.

O sentimento é mesmo um bicho complicado, que aparece quando menos esperamos e nos deixa cegos para não enxergar os sinais de que o outro não está tão afim de você. Existiria vacina para isso? Podemos nos prevenir, criarmos uma casca que nos proteja das ilusões? Como diferenciar um caso sem futuro de um que valha realmente a pena investir? Como nos prevenir de mágoas causadas por amores não realizados?

Tobias é um romântico incorrigível, que jurara a si mesmo não namorar de novo a não ser que tivesse certeza de que era a pessoa certa. Conheceu Fernanda em situação inusitada e a primeira coisa que notou era o quanto os dois tinham em comum. Em segundo lugar, admirou sua postura ética, seu caráter. Os amigos de Fernanda, que o adotaram como se fosse um antigo conhecido, amoleceram seu coração. Por fim, a inegável química na cama, seguida de atos falhos que só podiam ser coisa do coração, vieram como que a consolidar que estava na hora de começar um novo relacionamento.

Em três meses os dois dançaram juntos, viveram juntos, riram juntos, viajaram juntos, brincaram juntos, compartilharam momentos juntos. Tobias acreditou, se encontrou, se apaixonou e por um momento achou que estava amando novamente. Fernanda viveu o momento, correspondeu como pôde, mas quando se sentiu sufocada, resolveu terminar. Tobias sofreu, Fernanda se sentiu culpada. Tobias achou que a amizade logo de cara era melhor do que se afastar, que doeria menos estar perto do que estar longe e Fernanda entendeu que estar perto seria fazê-lo sofrer. Os dois estavam certos e ao mesmo tempo errados.

Tobias precisava estar perto para entender que não era a intensidade de seus sentimentos que tinha assustado a outra. A proximidade imediata era necessária para que encontrasse evidências de que não daria certo, que continuar juntos neste momento seria adiar o inevitável. A grande verdade é que quando algo não é para ser, simplesmente não é – e cada um tem a sua maneira de viver a via crucis para se convencer disso.

Fernanda se diz inexperiente, que não se sente pronta para namorar. Ainda prefere a emoção do inesperado, quer a liberdade, deseja viver por conta própria. Alguns diriam que ela está na fase de aprender a amar a si mesma, para que assim possa aprender a amar alguém - e se assim for, todo mundo vive isto uma vez na vida; com Tobias não foi diferente. É preciso curtir estar solteiro, porque somente assim descobrimos o que queremos (e se queremos) uma vida a dois. O momento em que escolhemos namorar, em que buscamos um companheiro mais que um amante, é onde Tobias se encontra agora. Esta fase é mais árdua e carregada de chances de desilusões e justamente por isso, ele tentou se defender da paixão - mas a forma com que as peças foram dispostas o convenceram a ceder. Ninguém foi culpado.

Tobias buscou estabilidade em alguém que ainda tem muito para viver e para conhecer. São as armadilhas de quando queremos gostar de verdade: fingimos não ver as evidências que aparecem na convivência, tentamos transformar o nosso momento no momento do outro e não compreendemos que muitas vezes as pessoas certas podem aparecer na hora errada (e vice-versa).

Não existe vacina. Podemos tentar fazer jogos com o sentimento alheio, tentar nos prevenir, tentar nos machucar menos, criarmos uma casca contra relacionamentos. É bom criar defesas, sempre. Isso faz doer menos, nos prepara para a dor do término, mas o coração, para o bem ou para o mal, não tem dono. Quando menos se espera, a paixão acontece de novo, às vezes até repete sujeitos, objetos, predicados – e não tem nada errado com isso. Diante desta lei inegável, resta-nos apenas torcer para que a próxima vez seja para valer.

Para cada um dos momentos em que vivemos, ao lado de pessoas diferentes, uma vez que especiais, sempre haverá a recordação, a memória de como foi bom e do quanto aprendemos sobre a arte do que fazer e do que não fazer. Sempre haverá a lembrança da cor do trigo - e, em alguns casos, novos rituais, ainda que diferentes, porém eternos. Quantos amantes não viraram amigos? Acontece, pois somos cada um de nós sempre responsáveis por aquilo que cativamos. Basta que os dois estejam dispostos.

Mesmo tendo vivido uma desilusão, assim como Tobias viveu, eu continuo acreditando. Sou inegavelmente romântica, continuo levando fé em anjos, em bruxas e nesse ser mitológico que é o amor. Podemos não crer, mas que ele existe, existe. Acontece no momento certo, com as pessoas certas. Quando tem que ser, ele é. E não tem força ou conveniencia no mundo que consiga quebrá-lo. Virada a página, que venha a próxima paixão, para mim e para Tobias. Sorte nossa, por mais que os fatos tentem nos convencer do contrário, o essencial será sempre invisível para os olhos.